27 Setembro 2013

Helicoverpa armigera: conheça a lagarta e veja ações de manejo para combatê-la

Escrito por 
Avalie este item
(0 votos)
Foto: Reprodução / Agrodefesa GO

A Helicoverpa armigera é uma lagarta que vem causando inúmeras perdas em lavouras brasileiras desde 2012 e tem surpreendido produtores e pesquisadores por seu poder de destruição. Até o início de 2013, a praga não havia sido identificada no Brasil, por isso produtores e pesquisadores pensavam que a causadora dos prejuízos seria a Helicoverpa zea, conhecida como lagarta do cartucho do milho. De acordo com a Embrapa, a campo, é quase impossível identificar a Helicoverpa armigera e separá-la da subespécie zea. Apenas exames laboratoriais têm condições de diferenciá-las.

>>Programa Técnica Rural: veja como identificar a helicoverpa e aprenda manejos adequados para controlar a praga

A armigera já é conhecida na literatura científica internacional desde 1809, quando foi descrita pelo entomologista alemão Jacob Hübner. Sua presença já foi registrada na África, Ásia, Oceania e Europa (regiões Sul e Central). No Brasil, ainda não há informações precisas sobre como a espécie chegou. Em dezembro de 2012, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) recebeu pedidos de ajuda de agricultores baianos sobre uma lagarta que não conseguiam controlar.

A classificação da espécie Helicoverpa é complexa e requer conhecimentos muito específicos de suas estruturas reprodutivas. Na safra 2012/2013, em amostras de lavouras de soja, milho e algodão da Bahia, Paraná, Mato Grosso e Distrito Federal, a Embrapa identificou, com base no aparelho reprodutor masculino e na análise molecular de adultos, a armigera.

A espécie foi regulamentada pela Embrapa como quarentenária A1 para o Brasil. Pragas quarentenárias A1 são aquelas não presentes no país, consideradas de alto risco e como potencial de causar importantes danos econômicos. Há relatos de mais de cem espécies de plantas que podem ser hospedadas e atacadas pela Helicoverpa armigera, inclusive outras culturas comerciais – além de milho, soja e algodão –, como feijão, sorgo e tomate.

A fase de lagarta da espécie armigera ataca preferencialmente as partes de frutificação das plantas, podendo também se alimentar de partes vegetativas, como folhas e hastes. A Helicoverpa armigera tem alto grau de polifagia [variedade de espécies e partes de plantas que come], ataca várias espécies agrícolas, bem como hospedeiros selvagens. A praga se alimenta mais rápido que outras pragas presentes no Brasil, por isso seu potencial de destruição é grande.

>> Helicoverpa ataca soja recém-plantada em Campo Novo do Parecis (MT)

A armigera tem alta fecundidade e a mariposa tem alta capacidade de dispersão, podendo colocar milhares de ovos. Esses ovos são postos normalmente nos botões florais, nas vagens e nas sementes (no caso do milho), o que causa um dano muito maior do que as espécies que comem somente a folha.

A subespécie tem alta capacidade de adaptação a diferentes ambientes, climas e sistemas de cultivo. Apresenta, ainda, uma elevada capacidade de reprodução e sobrevivência e tem potencial de desenvolvimento de resistência a inseticidas. A dose de produtos necessários para o controle da praga é maior na comparação com outras, o que torna o controle mais difícil. Esse conjunto de características está preocupando produtores e pesquisadores brasileiros.

Proliferação da lagarta

Segundo a Embrapa, a utilização de cultivares transgênicos - alguns com resistência a herbicidas -, o uso de sementes não certificadas por alguns produtores e a implantação da "ponte verde" (uma sequência ininterrupta de lavouras que beneficia pragas como a Helicoverpa armigera) contribuem para uma significativa mudança na diversidade de espécies vegetais invasoras e na ampliação de espécies causadoras de doenças e artrópodes associados às plantas cultivadas.

Essa situação acaba propiciando o surgimento de pragas e doenças anteriormente reconhecidas como secundárias, ou ainda pragas restritas a uma ou outra cultura que passam a atacar todas as demais culturas. Os agentes de competição interespecífica (pragas, doenças, ervas daninhas) têm sido controlados com agrotóxicos, muitas vezes de forma recorrente e ineficaz, com pulverizações sem rigor técnico e sem o devido monitoramento das pragas.

>> Embrapa simula desenvolvimento de helicoverpa em cultivos preferenciais da praga

De acordo com a Embrapa, esse sistema agrícola desequilibrado é o que tem propiciado a abundância contínua de alimentos para as pragas, contribuindo significativamente para a proliferação de insetos. Essas pragas têm atingido níveis populacionais tão elevados que acabam superando o limiar de atuação dos agrotóxicos, comprometendo a eficiência de controle.

Controle

Após os prejuízos causados pela lagarta na última safra de algodão, principalmente na Bahia, e também em lavouras de soja e de milho em diversas regiões do Brasil, o governo federal se mobilizou para desenvolver ações de combate e de defesa contra essa ameaça.

Para conter o avanço da subespécie, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura publicou, no dia 22 de abril de 2013, no Diário Oficial da União (DOU), a Instrução Normativa (IN) número 12, que define regras para prevenção, contenção, controle e erradicação da lagarta armigera.

O uso de controle químico é indicado como uma medida emergencial. Entre as ações de manejo integrado sugeridas pelo Ministério da Agricultura para evitar e combater a Helicoverpa armigera, estão:

- A utilização da rotação de culturas, destruição de plantas vivas voluntárias [guaxas] e restos culturais;- A adoção de manejo integrado de pragas de forma emergencial; - A utilização de armadilhas, iscas e outros métodos de controle físico; - A adoção do período de vazio sanitário; - A adoção de áreas de refúgio no plantio; - A semeadura das culturas de soja, milho e algodão no menor tempo possível, para reduzir o período de disponibilidade de alimento para a praga; - O uso de controle biológico, como a liberação de insetos parasitoides e predadores, fungos, bactérias e vírus que atacam a praga, reduzindo sua população;- O uso de cultivares que reduzem a população da praga.

Para a Embrapa, além de medidas emergenciais a serem adotadas para o restabelecimento do equilíbrio nas lavouras, como o estabelecimento de um consórcio para alerta da ocorrência da praga (Consórcio Manejo Helicoverpa), é fundamental a adoção de práticas do Manejo Integrado de Pragas já desenvolvidos pela pesquisa, como o planejamento da área de cultivo, o monitoramento contínuo de pragas, a utilização do controle biológico, o registro emergencial e o uso de inseticidas químicos e biológicos, além da tecnologia de aplicações de agrotóxicos e bioinseticidas.>> Especialistas defendem monitoramento contínuo contra Helicoverpa

Prejuízos

Os prejuízos causados pela Helicoverpa armigera no Brasil ainda não foram mensurados. Segundo a Embrapa, é preciso uma validação dentro de estudos econômicos para mensurar as perdas causadas pela lagarta. Sabe-se, no entanto, que a armigera é considerada um problema grave, tendo afetado lavouras de vários segmentos, principalmente a produção de algodão na Bahia.

Leia mais:>> Acesse a página da Embrapa sobre Helicoverpa armigera

>> Veja ações emergenciais propostas pela Embrapa para combater a Helicoverpa

>> Confira conteúdo especial do Ministério da Agricultura sobre a lagarta

* Com informações da Embrapa e Ministério da Agricultura

Veja também
Veja fotos da lagarta Helicoverpa sp.

Fonte Rural BR

Mais Notícias

Moderfrota impulsiona contratação de crédito rural

10-12-2016

O programa Moderfrota, que envolve incentivos à compra de máquinas e implementos agrícolas, foi o destaque no financiamento agropecuário nos primeiros cinco meses do ano-safra 2016/2017, de acordo com informação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). No período, o Moderfrota somou contratações de R$ 3,5 bilhões.  “...

Leia mais...

Temer autoriza renegociar dívidas de agricultores

10-12-2016

O presidente Michel Temer (PMDB) chegou às 15h30 (horário local) desta sexta-feira, dia 9, ao salão de eventos do Banco do Nordeste, em Fortaleza, para assinar a regulamentação da lei que autoriza a liquidação e renegociação de dívida de crédito rural de trabalhadores prejudicados pela seca no Nordeste. As dívidas, que totalizam R$ 17 bilhões, pode...

Leia mais...

Aumenta expectativa para a produção de soja

10-12-2016

A consultoria AGRural revisou para cima sua estimativa de produção de soja na safra 2016/17, para 101,8 milhões de toneladas, ante a previsão de 100,4 milhões de toneladas na projeção anterior.O aumento da previsão ocorre por causa do aumento da área de plantio em alguns estados, especialmente no Matopiba e da primeira projeção de produtividade por...

Leia mais...

Brasil tem capacidade de produzir mais trigo

10-12-2016

O principal ingrediente do pãozinho francês pode ser produzido em abundância no Brasil. Somente no Centro-Oeste, novas fronteiras para o trigo poderiam resultar em 24,9 milhões de toneladas do cereal, volume que representa o dobro do atual consumo interno. Isso faria o País passar de importador a exportador de trigo. Foi o que apontou estudo realiz...

Leia mais...

EUA: USDA mantém estimativas para estoque de grãos

10-12-2016

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve inalterada nesta sexta-feira, dia 9, sua estimativa para os estoques domésticos de soja. Em seu relatório mensal de oferta e demanda, divulgado nesta sexta o USDA disse que os estoques de soja ao fim da temporada 2016/2017 devem somar 480 milhões de bushels (13,06 milhões de toneladas)...

Leia mais...

Clima prejudica as culturas de segunda safra

10-12-2016

As condições climáticas adversas prejudicaram principalmente as culturas de segunda safra em 2016, levando a perdas na produção agrícola brasileira no ano. No entanto, houve melhora nos últimos meses, o que favoreceu culturas de inverno, segundo Carlos Alfredo Guedes, gerente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do Instituto Brasileiro ...

Leia mais...

Conab fez leilões de PEP e Pepro nesta sexta

09-12-2016

Nesta sexta-feira, dia 9, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou mais dois leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) para o trigo em grãos da safra 2016/2017. No leilão de Pepro, foi negociada subvenção para 67,6% do volume ofertado, o que corresponde a 120 mil das...

Leia mais...

Projeto Mais Milho realiza primeiro fórum

09-12-2016

O Projeto Mais Milho realizou seu primeiro fórum nesta sexta-feira, dia 9, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá (MT). O Mais Milho é uma realização da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) e Canal Rural, com patrocínio da Authority FMC, Ind...

Leia mais...

Emater: plantio de soja no RS atinge 88% da área

09-12-2016

O plantio da soja no Rio Grande do Sul atinge nesta semana 88% da área projetada para a safra 2016/17. De acordo com a Emater-RS, as lavouras em fase de germinação e desenvolvimento vegetativo têm ótimas condições.Em relação à área de milho, que já toda semeada, as condições das lavouras não são uniformes, a depender do volume de chuvas e do tipo d...

Leia mais...