22 Janeiro 2021

São Paulo registra novo recorde com 99,9% de bovídeos vacinados contra a febre aftosa

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"Mesmo com a quarentena instituída em março de 2020 em todo o estado de São Paulo em razão da pandemia de COVID-19, os criadores não deixaram de cumprir com suas obrigações de proteger seus animais contra a febre aftosa" disse Luiz Henrique Barrochelo, coordenador da Defesa Agropecuária do Estado, ressaltando ainda que "mesmo com todas as limitações, nossa equipe manteve-se em atividade para acompanhar a vacinação, fiscalizar as revendas para garantir a confiabilidade e melhor guarda dos produtos e ajudar o criador no lançamento das informações no sistema".

Esta etapa da campanha envolveu um total de 100.990 propriedades rurais que possuíam bovídeos dentro da faixa etária estabelecida pela legislação. As 412 propriedades que ainda não apresentaram a declaração estão sendo visitadas pela Defesa Agropecuária e estarão sujeitas a multas.

O fechamento final da campanha será enviado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no dia 31 de janeiro.

Erradicação para um estado livre sem vacinação

Para agregar valor ao produto do agronegócio de São Paulo, eliminar as barreiras sanitárias e alcançar o status de estado "livre de febre aftosa sem vacinação", são necessárias ações focadas na proteção e sanidade dos rebanhos paulista.

O caminho construído para a prevenção, controle e erradicação da febre aftosa foi iniciado há 54 anos com a união entre o setor produtivo, a iniciativa privada e o governo do Estado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento. "A modernização de nossos serviços com a implantação das mais modernas ferramentas de gerenciamento e inteligência para proteção do agro paulista e a aproximação com a sociedade e o setor produtivo são fundamentais para romper as barreiras e agregar valor ao produto agropecuário de São Paulo", disse Luiz Henrique Barrochelo, coordenador da Defesa.

Caminho percorrido

"Nas décadas de 70 e 80 a febre aftosa era o terror e o temor dos pecuaristas, devido aos inúmeros focos que ocorriam no rebanho paulista, com incalculáveis prejuízos advindos do emagrecimento e da redução drástica da produção de carne e leite dos animais doentes", disse o médico veterinário Celso Alberto Gonçalves que foi diretor do Grupo de Defesa Sanitária Animal, da Defesa Agropecuária explicando que "a globalização e a crescente necessidade mundial de proteína nobre, aliadas ao numeroso rebanho bovino do país, colocaram o Brasil na mira do consumidor externo, gerando a necessidade de investimentos em sanidade animal para garantir aos importadores um produto que não levasse consigo o risco da febre aftosa".

Os estados brasileiros, incluindo São Paulo passaram a desenvolver ações e medidas de controle da febre aftosa, com atendimentos a focos, controle do trânsito e de eventos de concentração de animais, campanhas de vacinação, etc. Em 1992 foi instituído o Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA) com a adoção de uma política baseada na regionalização das ações (criação dos circuitos pecuários), no envolvimento do setor privado e no uso massivo e sistemático da vacinação de bovinos e bubalinos. São Paulo passou a integrar o Circuito Pecuário Centro Oeste, juntamente com os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e o Distrito Federal.

Status Sanitário

Último foco da doença no Estado ocorreu em março de 1996, no município de São Carlos e em maio de 2000, São Paulo e os demais estados do circuito foram reconhecidos como área livre de febre aftosa com vacinação, pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), órgão normativo encarregado de exercer a vigilância sobre a segurança sanitária do comércio mundial dos animais e de seus produtos e pela coleta e difusão de informação sobre as doenças, principalmente as zoonoses.

Com a reintrodução do vírus da febre aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná, em outubro de 2005, houve a suspensão da condição sanitária de zona livre de febre aftosa com vacinação para esses dois Estados, mais São Paulo, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sergipe e Tocantins. O reconhecimento foi restituído em 2008, excluindo-se o estado do Mato Grosso do Sul.

Plano estratégico

Em 2017 o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou o Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), delineado para ser executado em um período de dez anos. "Um dos seus objetivos é a suspensão gradual da vacinação contra a febre aftosa, em todo o território brasileiro, que implica na adoção de diversas ações a serem desenvolvidas em âmbito municipal, estadual e nacional, com o envolvimento do serviço veterinário oficial, setor privado, produtores rurais e agentes políticos", disse Luciano Lagatta, diretor do Grupo de Defesa Sanitária Animal.

Entre as medidas adotadas no estado de São Paulo que contribuem para o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa, podemos ressaltar as atividades correlatas às etapas de vacinação compulsória (fiscalização em revendas de vacinas, registro de declarações de vacinação, vacinações assistidas); o atendimento a notificação de suspeitas; as fiscalizações do trânsito de animais e produtos de origem animal; a inspeção em abatedouros das espécies susceptíveis; os inquéritos sorológicos; as atividades de vigilância ativa; e a vigilância realizada pelos médicos-veterinários responsáveis técnicos em eventos de concentração de animais (rodeios, exposições, leilões).

O começo

"São Paulo foi o segundo estado brasileiro (o primeiro foi o Rio Grande do Sul) a iniciar em 1967 o Programa de Combate à Febre Aftosa instituído pelo governo brasileiro em 1963. O trabalho inicial teve como executor o Instituto Biológico através do setor de Defesa Sanitária Animal, cujo responsável era o médico-veterinário Luiz Braz Siqueira do Amaral", escreveu o médico-veterinário Walter Mengato em relato feito em 2007 para as comemorações dos 40 anos de campanha no Estado. Mengato atuou diretamente na implantação da campanha porque era encarregado da Diretoria de Presidente Prudente.

Ele relatou, à época, que "a campanha foi iniciada no município de Presidente Venceslau que apresentava todas as condições favoráveis" e que para divulgá-la foi realizado um ato simbólico em fevereiro de 1968 com a vacinação de bovinos da penitenciária do município. Este setor de Defesa Sanitária Animal foi transferido do Instituto Biológico para a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral-CATI (atual Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável-CDRS) criada em junho de 1967, sendo elevado em 1998 à Coordenadoria de Defesa Agropecuária.

Colaboração técnica

Em 2012, equipes foram deslocadas para o Mato Grosso do Sul, para colaborar com a Agência Estadual de Defesa Sanitária e Vegetal (Iagro) nas ações de vigilância, fiscalização e vacinação oficial do rebanho bovino em assentamentos rurais, aldeias indígenas e periferia da linha de fronteira com o Paraguai devido ao alerta sanitário neste país vizinho. Heinz Otto Hellwig, coordenador da Defesa Agropecuária na época, disse que "o estado é referência no país pelo seu empenho na vigilância ativa; por manter os índices de vacinação acima de 98,5 por cento a cada etapa; e pelas ações desenvolvidas visando o status sanitário como livre de febre aftosa sem vacinação".

Em 2018, uma equipe foi enviada para a Venezuela, para colaborar na "Execução de Atividades do Plano de Cooperação Técnica para o Norte da Sub-Região Andina (Plano de Vacinação contra Febre Aftosa no Rebanho Bovino e Bubalino da Venezuela)", promovida pelo Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Dados Gedave

Na relação abaixo, estão o total de bovídeos com idade de zero a24 meses envolvido na etapa; o total de bovídeos declarados ao sistema como vacinados; e a percentagem de vacinação em cada um dos 40 Escritórios de Defesa Agropecuária do Estado.

EDA de Andradina - 207.621 - 207.621 - 100,000 %
EDA de Araçatuba - 167.865 - 167.865 - 100,000 %
EDA de Araraquara - 57.426 - 57.420 - 99,990 %
EDA de Assis - 99.361 - 99.253 - 99,891 %
EDA de Avaré - 95.669 - 95.666 - 99,997 %
EDA de Barretos - 80.561 - 80.535 - 99,968 %
EDA de Bauru - 170.433 - 170.325 - 99,937 %
EDA de Botucatu - 124.182 - 124.039 - 99,885 %
EDA de Bragança Paulista - 87.841 - 87.596 - 99,721 %
EDA de Campinas - 46.061 - 45.157 - 98,037 %
EDA de Catanduva - 50.089 -50.088 - 99,998 %
EDA de Dracena - 156.410 - 156.381 - 99,981 %
EDA de Fernandópolis - 128.432 - 128.432 - 100,000 %
EDA de Franca - 76.756 - 76.604 - 99,802 %
EDA de General Salgado - 224.962 - 224.962 - 100,000 %
EDA de Guaratinguetá - 136.085 - 136.085 - 100,000 %
EDA de Itapetininga - 126.149 - 125.811 - 99,732 %
EDA de Itapeva - 81.148 - 80.982 - 99,795 %
EDA de Jaboticabal - 35.063 - 34.940 - 99,649 %
EDA de Jales - 186.863 - 186.863 - 100,000 %
EDA de Jaú - 58.143 - 58.105 - 99,935 %
EDA de Limeira - 47.809 - 47.793 - 99,967 %
EDA de Lins - 154.594 - 154.510 - 99,946 %
EDA de Marília - 175.161 - 175.161 - 100,000 %
EDA de Mogi das Cruzes - 8.394 - 8.394 - 100,000 %
EDA de Mogi-Mirim - 39.697 - 39.426 - 99,317 %
EDA de Orlândia - 45.361 - 45.337 - 99,947 %
EDA de Ourinhos - 116.992 - 116.992 - 100,000 %
EDA de Pindamonhangaba - 136.669 - 136.425 - 99,821 %
EDA de Piracicaba - 71.520 - 71.447 - 99,898 %
EDA de Presidente Prudente - 345.648 - 345.510 - 99,960 %
EDA de Presidente Venceslau - 389.063 - 388.718 - 99,911 %
EDA de Registro - 38.308 - 38.287 - 99,945 %
EDA de Ribeirão Preto - 50.860 - 50.809 - 99,900 %
EDA de São João da Boa Vista - 141.504 - 141.348 - 99,890 %
EDA de São José do Rio Preto - 200.925 - 200.544 - 99,810 %
EDA de São Paulo - 2.127 - 2.127 - 100,000 %
EDA de Sorocaba - 66.341 - 65.981 - 99,457 %
EDA de Tupã - 147.240 - 147.129 - 99,925 %
EDA de Votuporanga - 147.226 - 147.226 - 100,000 %
TOTAL - 4.722.559 - 4.717.894 - 99,901 %

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